Quando eu nasci me deram o nome Laura. Laurinha em sinal de carinho. Fui crescendo, com cabelos indomáveis e uma vontade enorme de correr por todos os cantos do mundo. ‘Lá vem a Lola Furacão’, começaram a dizer quando ouviam o barulho de pezinhos ecoando pelos corredores. Passava tardes inteiras imaginando que podia voar, morava na Índia com tigres e elefantes, e que Glitter podia curar todas as tristezas.

Aprender a ler foi a chave que libertou bruxas, sereias, unicórnios e dragões nas brincadeiras, lia até o velho Aurélio, inventando que nele havia contos encantados. Comecei a escrever os meus próprios encantos, e com o tempo passei a querer mais. Queria que aquele brilho, que brilha nos olhos de quem acredita em faz-de-conta durasse para sempre. Formei-me em jornalismo, escrevi histórias e estórias, e durante essa jornada a fotografia foi – e ainda é – um amor absoluto, uma nova maneira de documentar o mundo, de contar histórias, de criar memórias.
Aprendi com o tempo que menos é mais, e desenvolvi uma forma de retratar a criança do modo mais puro, simples e natural possível (para todos aqueles que acreditam em fotografia como forma de poesia), de um jeito que a imaginação pode correr solta; podemos voar se quisermos, podemos ser fadas, piratas, super-heróis, por que não?
Hoje estou aqui, retratando todo o carinho que envolve um pequenino e sua família, brincando de espadar com tubos de papelão (sempre que há oportunidade) e, bem, eu ainda acredito que Glitter possa curar todas as tristezas. Porque crescer não é o problema, esquecer é que é.